DO TEXTO AO FILME
HISTÓRIA, SILÊNCIO E MONTAGEM DE O VENTO ASSOBIANDO NAS GRUAS, ROMANCE (2002) DE LÍDIA JORGE E FILME (2023) DE JEANNE WALTZ
Resumo
O artigo examina a transfiguração de O Vento Assobiando nas Gruas (2002), de Lídia Jorge, na adaptação cinematográfica homônima dirigida por Jeanne Waltz (2023), enfatizando os vetores linguagem-imagem-memória-história. A análise focaliza a personagem de Milene como eixo de uma narrativa que articula vulnerabilidade, silêncio e testemunho, observando como a opção do filme por condensar subtramas produz efeitos de sentido distintos do romance. À luz de Walter Benjamin (técnica, montagem, tempo histórico), Epstein (fotogenia), Tarkovski (tempo esculpido) e Metz (linguagem do cinema), discute-se a passagem do tell literário ao show fílmico e a função diegética do som, do silêncio e da música na construção afetiva e política das cenas. Sustenta-se que o filme opera uma montagem estética e política, sem espelhar o romance, amplia sua potência crítica ao articular relações pós-coloniais luso-cabo-verdianas, disputas de memória e degradação ambiental.