A TRADUÇÃO AUTOMÁTICA COMO TECNOLOGIA DE GUERRA

  • Jacqueline LÉON, Profª Drª Laboratoire d'Histoire des Théories Linguistiques, CNRS Université Paris Cité, Université Sorbonne Nouvelle
Palavras-chave: Tradução automática, Linguística computacional, Historiografia Linguística, Tecnologia e Linguística, Relatório ALPAC

Resumo

RESUMO: Este artigo examina a fase inicial e institucional da automatização da linguagem, que se manifestou na Tradução Automática (TA) no início dos anos 1950 e, posteriormente, na Linguística Computacional no início dos anos 1960. O estudo argumenta que a instauração dessa nova orientação para as ciências da linguagem (c. 1948–1966) foi um evento abrupto, impulsionado por uma intervenção institucional massiva no financiamento e na direção da ciência após a Segunda Guerra Mundial. Em particular, a TA foi inicialmente estabelecida nos Estados Unidos como uma tecnologia de guerra, com vastos recursos estatais alocados para atender a demandas estratégicas e políticas urgentes do pós-guerra. Em seguida, e sobre as fundações desta iniciativa, a Linguística Computacional foi igualmente e abruptamente promovida como a “nova linguística”. A análise foca em como esse contexto de origem, focado em tecnologia e estratégia militar, moldou e impôs um novo horizonte de retrospecção para as ciências da linguagem.

 

PALAVRAS-CHAVE: Tradução Automática (TA). Tecnologia de Guerra. Linguística Computacional. Warren Weaver. Yehoshua Bar-Hillel. Relatório ALPAC (Automatic Language Processing Advisory Committee). História da Ciência.

 

LA TRADUCTION AUTOMATIQUE COMME TECHNOLOGIE DE GUERRE

 

RÉSUMÉ: La première phase de l’automatisation du langage s’est constituée en deux temps: la traduction automatique (TA) au début des années 1950 et la linguistique computationnelle au début des années 1960. Cette automatisation s’est accompagnée de l’instauration brutale d’un nouvel horizon de rétrospection pour les sciences du langage qui s’est effectuée sur une période très courte d’une quinzaine d’années (1948-1966). Elle a été la conséquence d’une intervention massive des institutions qui ont pris des décisions drastiques d’orientation et de financement de la science dans le sillage des bouleversements mondiaux de la Seconde Guerre mondiale. C’est ainsi que la Traduction Automatique, en tant que technologie de guerre, a été instituée aux États-Unis par des instances d’état qui y ont consacré des moyens considérables pour répondre à une demande stratégique et politique propre à cette fin de Seconde Guerre mondiale. À sa suite, et sur ses cendres, la Linguistique Computationnelle a été érigée comme « nouvelle linguistique » de façon tout aussi brutale. L’analyse se concentre sur la manière dont ce contexte d’origine, axé sur la technologie et la stratégie militaire, a façonné et imposé un nouvel horizon de rétrospection pour les sciences du langage.

 

MOTS-CLES: Traduction Automatique (TA). Technologie de Guerre. Linguistique Computationnelle. Warren Weaver. Yehoshua Bar-Hillel. Rapport ALPAC (Automatic Language Processing Advisory Committee). Histoire de la Science.

 

Biografia do Autor

Jacqueline LÉON, Profª Drª, Laboratoire d'Histoire des Théories Linguistiques, CNRS Université Paris Cité, Université Sorbonne Nouvelle

Jacqueline Léon é Diretora Emérita de Pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) na França. Possui doutorado em Linguística e seus principais tópicos de pesquisa incluem a história da automação das ciências da linguagem, tradução automática e o processamento de linguagem natural. Possui graduação em Inglês - Université Paris 7 (1970), mestrado em Linguística - Université Paris 7 (1971) e doutorado em Linguística - École des Hautes Études en Sciences Sociales (1996). E-mail: <jacqueline.leon@u-paris.fr>.

Publicado
2026-06-02