A GRAMÁTICA UNIVERSAL (GU) DE CHOMSKY E A CRÍTICA DA RAZÃO PURA DE KANT

APROXIMAÇÕES DE UMA ANÁLISE EPISTEMOLÓGICA

  • Jorge Viana de MORAES, Prof. Dr. USP - Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Gramática universal, Chomsky, Immanuel Kant, História das ideias Linguísticas, Historiografia linguística

Resumo

O objetivo deste ensaio é o de analisar a correlação entre a faculdade da linguagem, conforme proposta por Noam Chomsky em seu conceito de Gramática Universal (GU) (Chomsky, 1994), e a arquitetura transcendental de Kant na Crítica da Razão Pura (Kant, 1999, 2001, 2022 [1787]). A relação entre as duas teorias fundamenta-se na noção de que a mente humana possui estruturas a priori: assim como a GU é descrita como o “estado inicial” da faculdade da linguagem – uma estrutura universal, inata e independente da experiência, a cognição kantiana organiza a realidade por meio de formas puras (espaço e tempo), o que Kant investigou na Estética Transcendental, e de categorias do entendimento que precedem o dado empírico1. Propõe-se, assim, que a GU chomskyana, anterior e independente de qualquer experiência linguística, opera de modo análogo ao aparato transcendental kantiano, funcionando como uma condição de possibilidade para a aquisição de qualquer língua particular

1 Segundo Immanuel Kant, na sua obra Crítica da Razão Pura, as categorias do entendimento são conceitos puros a priori, ou seja, formas estruturais da mente humana que precedem qualquer experiência empírica (dados dos sentidos). Elas são as ferramentas “formais” que organizam o material desordenado da sensibilidade para torná-lo inteligível e gerar conhecimento. 

PALAVRAS-CHAVE: Gramática Universal. Faculdade da Linguagem. Noam Chomsky. Crítica. Immanuel Kant. A priori.

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This essay aims to analyze the correlation between the faculty of language, as proposed by Noam Chomsky in his concept of Universal Grammar (UG) (Chomsky, 1994), and Kant’s transcendental architecture in the Critique of Pure Reason (Kant 1999, 2001, 2022 [1787]). The relationship between these two theories is grounded in the notion that the human mind possesses a priori structures. Just as UG is described as the “initial state” of the language faculty – a universal, innate structure independent of experience – Kantian cognition organizes reality through pure forms (space and time), investigated in the Transcendental Aesthetic, and categories of understanding that precede empirical data. It is thus proposed that Chomskyan UG, being prior to and independent of any linguistic experience, operates analogously to the Kantian transcendental apparatus, functioning as a condition of possibility for the acquisition of any particular language.

 

Biografia do Autor

Jorge Viana de MORAES, Prof. Dr., USP - Universidade de São Paulo

Doutor e Pós-Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) no campo da História das Ideias Linguísticas/Historiografia Linguística, onde é professor e pesquisador no referido campo e no das Ciências da Linguagem (Área de Filologia e Língua Portuguesa). O autor é Editor Associado dos Cadernos de Linguística (ABRALIN) para textos voltados exclusivamente para a Área de História das Ideias Linguísticas/Historiografia Linguística. E-mail: <jorgevianademoraes@usp.br >.

Publicado
2026-06-02