HISTORIOGRAFIA DA GRAMÁTICA

TÉCNICA, MODELIZAÇÃO, ESTRATÉGIAS, E CONDICIONAMENTO MATERIAL

  • Pierre SWIGGERS, Prof. Dr. Universidade de Lovaina (KU Leuven) - Bélgica
  • Jorge Viana de MORAES, Prof. Dr.
Palavras-chave: Gramática, Gramaticografia, Estratégias gramaticais, Contextos culturais, Modelo gramatical

Resumo

A gramática, que aparentemente é um “dado natural”, é uma técnica definida histórica e conceitualmente para descrever a atividade humana; envolve a aplicação de um modelo a um conjunto de fenômenos linguísticos. Esse modelo implica organização macroestrutural e microestrutural e certas decisões e está ligado a três tipos de estratégias: estratégias analíticas, estratégias de apresentação e estratégias voltadas para a assimilação gramatical. Além de modelo e das estratégias relacionadas, a gramática é condicionada por certos fatores “materiais”, como o contexto cultural, a estrutura linguística da(s) língua(s) descrita(s) e o sistema de escrita utilizado.

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ABSTRACT: Grammar, apparently a “natural” data, is a historically and conceptually defined technique – describing a human activity –, in which a modelization is applied to a body of linguistic phenomena. The modelization, involving a macrostructural and microstructural organization and a number of decisions, is coupled with three types of strategies: analytical strategies, presentational strategies, and strategies with an eye at grammar acquisition. Beyond this modelization and the correlated strategies, grammar is conditioned by a number of ‘material’ factors, such as the cultural setting, the linguistic structure of the language(s) described and the writing system used.

 

Biografia do Autor

Pierre SWIGGERS, Prof. Dr., Universidade de Lovaina (KU Leuven) - Bélgica

Pierre Swiggers é professor titular na Universidade de Lovaina (KU Leuven), na Bélgica e Diretor de Pesquisa no F.W.O.-Vlaanderen (Fundo de Pesquisa Científica de Flandres). Com uma formação que integra Filologia Românica, Filosofia, Estudos Orientais e Linguística Geral, Swiggers consolidou-se como um dos principais expoentes da Historiografia Linguística global. Sua produção acadêmica é marcada pelo rigor epistemológico, transitando entre a análise de tradições gramaticais da Antiguidade até a linguística moderna, com foco especial na metahistoriografia e na metodologia das ideias linguísticas. Com forte interlocução com a pesquisa brasileira, é autor de obras seminais que fundamentam o estudo histórico e historiográfico da linguagem como uma disciplina científica autônoma. Filologia Românica; Filosofia; Filologia Oriental; Estudos Medievais (KU L); Doutorado: 1981; Livre-docência (habilitação): 1992; estudos de pós-doutorado (UC Louvain-la-Neuve; Univ. Salzburg; EPHE-Paris; Univ. da Pensilvânia; Univ. do Novo México). Professor visitante em: Univ. de Indiana (1985), Univ. de São Paulo (1993, 2007, 2013), Univ. de Trier (1996), Univ. de Sevilha (1997), Univ. de Salamanca (2006, 2008, 2017), Univ. de Lorraine (2014). E-mail: <pierre.swiggers@kuleuven.be>.

Jorge Viana de MORAES, Prof. Dr.

Doutor e Pós-Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) no campo da História das Ideias Linguísticas/Historiografia Linguística, onde é professor e pesquisador no referido campo e no das Ciências da Linguagem (Área de Filologia e Língua Portuguesa). O autor é Editor Associado dos Cadernos de Linguística (ABRALIN) para textos voltados exclusivamente para a Área de História das Ideias Linguísticas/Historiografia Linguística. E-mail: <jorgevianademoraes@usp.br >.

Publicado
2026-06-02