DISTOPIA, HISTÓRIA E IDENTIDADE EM NAMÍBIA, NÃO!

Palavras-chave: Distopia. História. Dramaturgia. Estudos Raciais. Identidade.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar como o elemento distópico na peça teatral Namíbia, não!, de Aldri Anunciação (2012), evoca reflexões críticas sobre as relações étnico-raciais no Brasil contemporâneo, assim como em seu passado histórico. As análises se situam num espaço interdisciplinar de análise, recorrendo à historiografia, representada por Chalhoub (2012), às teorias do drama (Sarrazac, 2012), e da mímesis (Ricœur, 2010). Partindo do pressuposto de que o gênero literário distópico localiza problemas do presente e do passado em um futuro especulativo (Gaiman, 2013), busca-se demonstrar como o passado histórico da escravidão e da segregação são reinterpretados e reatualizados no drama de Aldri Anunciação por meio de recursos linguísticos, cênicos e simbólicos, tais como a ironia, o estranhamento, o espaço e o jogo cromático efetuado pelo autor. Conclui-se que Namíbia, não! instaura uma ética da recepção, ao colocar o leitor ou espectador como um elemento chave no processo de mímesis, fornecendo elementos tanto formais quanto estéticos para que o leitor reflita sobre o nosso passado escravista e os problemas contemporâneos de identidade e relações étnico-raciais.

Biografia do Autor

Harion Márcio Costa CUSTÓDIO, Universidade Federal de Minas Gerais / Harvard University

Doutor em Letras, Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui amplo interesse nas inter-relações entre literatura e história, assim como no imbricamento entre estética, sociedade e política. Tem interesse também na área de Estudos Culturais, Estudos sobre Raça, Ecocrítica, Teoria do Discurso, Teoria Literária, Editoração e Tradução. É integrante, como pesquisador voluntário, do NEIA - Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade. Possui experiência na área de Letras, com ênfase em literatura, revisão, preparação de textos e tradução. Em 2023-2024 recebeu uma bolsa Fulbright de doutorado sanduíche para cursar parte do doutorado na Universidade de Harvard. No mesmo período foi também selecionado como Fellow do W. E. B. Dubois Institute na Harvard, e Fellow do Hutchins Center for African and African American Research Institute, a convite do Professor Henry Louis Gates Junior. Atualmente é non-resident fellow do Hutchins Center for African and African American Research Institute.

Publicado
2025-12-30